El Niño 2026/2027 e os Impactos no Agronegócio Brasileiro
O relatório da COGO Inteligência em Agronegócio projeta uma probabilidade de 63% de ocorrência de um El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, com potencial para estar entre os eventos mais intensos desde 1950. O principal efeito esperado é uma forte assimetria climática no Brasil: seca no Norte, Nordeste, Matopiba e parte do Centro-Oeste, enquanto o Sul tende a ser beneficiado por chuvas acima da média.
Fonte Imagem: MetSul
Principais conclusões
- O maior risco está no Matopiba
A região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia aparece como a mais vulnerável do país.
Impactos previstos:
- Soja: perdas de 8% a 20%
- Milho safrinha: perdas de até 25%
- Algodão: perdas de 12% a 20%
- Maior demanda por seguro rural e crédito emergencial
O relatório considera o Matopiba o principal foco de risco da safra brasileira 2026/27.
- O Sul deve ser o grande vencedor climático
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná tendem a receber chuvas acima da média.
Possíveis ganhos:
- Soja: aumento de produtividade de 5% a 15%
- Milho: aumento de 5% a 12%
- Trigo: melhores condições produtivas
- Arroz irrigado: estabilidade ou leve ganho
Entretanto, aumenta o risco de excesso de umidade e doenças fúngicas.
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Impactos por cultura
Soja
Regiões mais afetadas:
- Matopiba
- Pará
- Rondônia
- Centro-Oeste
Estimativa nacional:
- Redução de 3 a 8 milhões de toneladas na produção brasileira.
O ganho produtivo no Sul não compensaria totalmente as perdas no Matopiba e Centro-Oeste.
Milho
A cultura mais vulnerável é a safrinha em MT e GO.
Perdas estimadas:
- 1ª safra Norte/Nordeste: 8% a 18%
- Safrinha MT/GO: 12% a 25%
O período mais crítico será fevereiro e março de 2027.
Café
O café aparece entre as commodities mais sensíveis ao evento.
Regiões de maior risco:
- Cerrado Mineiro
- Sul de Minas
- Bahia
- Rondônia
Possíveis perdas:
O relatório alerta que uma quebra simultânea no Brasil, Vietnã e África poderia provocar uma nova disparada dos preços internacionais do café.
Cana-de-açúcar
Impacto muito forte no Nordeste.
Perdas previstas:
- Nordeste: 15% a 25%
- Centro-Sul: 5% a 12%
Por outro lado, quebras na Índia e Tailândia podem elevar fortemente os preços globais do açúcar, beneficiando exportadores brasileiros.
Algodão
Risco elevado em:
- Mato Grosso
- Matopiba
- Nordeste
Perdas previstas:
A redução simultânea da oferta na Índia e Austrália tende a sustentar preços internacionais mais altos.
Citros (laranja)
São Paulo e Triângulo Mineiro podem sofrer:
- Queda de produtividade de 8% a 15%
- Frutos menores
- Problemas na floração
O relatório projeta valorização do suco de laranja.
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Pecuária
Bovina de corte
O principal problema será a degradação das pastagens.
Consequências:
- Aumento de 20% a 40% nos custos de suplementação
- Abate antecipado
- Pressão sobre rebanhos no médio prazo
Leite
Regiões mais afetadas:
- Minas Gerais
- Goiás
- São Paulo
Impactos:
- Menor produção por estresse térmico
- Aumento de 15% a 20% nos custos de alimentação
Suínos e aves
O problema principal será o encarecimento da ração.
Estimativas:
- Ração +8% a +15%
- Repasse parcial para preços finais das proteínas animais.
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Efeitos nos preços das commodities
O relatório projeta tendência de alta para:
Produto Potencial de alta
Açúcar +18% ou mais
Café +12%
Algodão +15%
Milho +12%
Soja +8%
Trigo +15% (mercado global)
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Oportunidades para investidores e produtores
Os setores que podem capturar valor mesmo em um cenário adverso:
- Usinas do Centro-Sul exportadoras de açúcar.
- Cafeicultores irrigados do Sudeste.
- Produtores de trigo do Sul.
- Algodão irrigado em Mato Grosso.
- Produtores de soja e milho do Sul.
- Empresas de irrigação.
- Seguradoras rurais e seguro paramétrico.
- Frigoríficos exportadores localizados no Sul do Brasil.
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O que mais chama atenção
Há um ponto que merece cautela: o relatório assume um cenário de El Niño muito forte e trabalha com projeções baseadas em eventos históricos. Isso é útil para planejamento, mas não deve ser interpretado como previsão consolidada. O dado mais relevante para quem toma decisão hoje não é a quebra projetada, e sim a assimetria regional.
Se eu fosse resumir em uma frase:
O El Niño 2026/27 tende a transferir renda agrícola do Norte, Nordeste, Matopiba e parte do Centro-Oeste para o Sul do Brasil, além de favorecer empresas expostas a commodities agrícolas com oferta global reduzida.
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Fontes citadas pelo relatório: NOAA, FAO, USDA, INMET, CONAB, CEMADEN e análise própria da COGO.