Recordes de exportação e o produtor afundando mais

O agro brasileiro bate recordes de produtividade enquanto aumenta o número de produtores endividados, operações em recuperação judicial e propriedades pressionadas por margens cada vez menores. Pequenos, médios e grandes produtores vivem o mesmo problema em escalas diferentes: produzir muito já não garante saúde financeira.

É o Paradoxo da Produtividade Agropecuária agindo na sua essência na cabeça, ou melhor, dentro de toda a operação realizada pelo Produtor Rural.

Ele investe mais em tecnologia, máquinas, genética, irrigação e gestão para ganhar eficiência. Mas, quando a produção aumenta, os preços frequentemente caem, os custos continuam altos e a renda desaparece no meio da cadeia. O produtor produz mais, trabalha mais, assume mais risco e muitas vezes termina a safra mais pressionado financeiramente do que começou.

Enquanto outros países criam mecanismos de proteção de renda, estabilização de mercado e apoio anticíclico ao produtor, o Brasil ainda concentra sua política agrícola principalmente no crédito para produção.

O problema é que crédito ajuda a plantar, mas não garante rentabilidade.

Quando o mercado entra em ciclos de excesso de oferta, juros altos e margens comprimidas, a conta chega rápido no caixa das propriedades.

O mais preocupante é que muitos produtores e diversos formadores de opinião do setor ainda seguem na velha “cantilena”, que no inicio do seculo XXI, podia ser verdadeira, mas hoje, levou o produtor a armadilha do Paradoxo: diante da perda de margem, a reação é aumentar ainda mais a produção para tentar compensar a receita. Só que isso alimenta exatamente o ciclo que derruba os preços e amplia a fragilidade econômica do setor.

O agro brasileiro se tornou extremamente eficiente em produzir. Mas está na hora de se discutir mecanismos para proteger a renda de quem produz.

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Entenda e baixe o estudo sobre o Paradoxo da Produtividade Agropecuária em:

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Inadimplência no campo cresce e pressiona renegociação

Crescimento dos atrasos no pagamento reforça demanda por medidas de renegociação, enquanto governo resiste a mudanças nas condições propostas pelo Congresso

Arrendatários lideram índices de inadimplência

O levantamento da Serasa Experian considera dívidas vencidas há mais de 180 dias junto a empresas ligadas ao agronegócio, como instituições financeiras, seguradoras e transportadoras. A maior parte dos débitos continua concentrada no sistema financeiro.

Entre os diferentes perfis de produtores, os arrendatários apresentam o maior índice de inadimplência, com 9,9%. Na sequência aparecem os grandes produtores, com 9,8%, os médios produtores, com 8,3%, e os pequenos produtores, com 7,8%.

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Entenda a disputa entre bancos, produtores e governo sobre a renegociação de dívidas.

Expectativa é que projeto de renegociação seja analisado pelo plenário do Senado na quarta-feira, dia 10/06/2026.

Acompanhe,o início, das considerações e desdobramentos sobre assunto :index_pointing_up::index_pointing_up::index_pointing_up: olhando os posts acima.

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Seguro rural avança no mundo e expõe desafio do Brasil que ainda precisa avançar em pontos estratégicos para ampliar a proteção dos produtores contra perdas climáticas.

Levantamento analisou sete países e mostra que modelos com apoio público e regras estáveis alcançam maior proteção aos produtores rurais.

Por Cássia Lombardi
Publicado em: 05/06/2026

Um estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, aponta que os países que alcançaram maior cobertura de seguro rural adotaram políticas públicas consistentes, apoio financeiro contínuo e participação ativa do setor privado. A pesquisa avaliou os modelos adotados por Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru e concluiu que o Brasil ainda precisa avançar em pontos estratégicos para ampliar a proteção dos produtores contra perdas climáticas

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A aprovação do PL 5.122/2023 trouxe agora uma disputa que vai além da renegociação das dívidas rurais. Enquanto o governo passou a classificar a proposta como uma possível “bomba fiscal”, Frente Parlamentar da Agricultura se manifestou através de documento, diposto no link abaixo, elaborado justamente para contestar essa narrativa.

O argumento central é que parte do debate público estaria confundindo o volume total das dívidas elegíveis para renegociação com o efetivo custo fiscal do programa, gerando interpretações que, segundo os defensores do projeto, não refletem sua estrutura real.

O texto destaca que o projeto não determina desembolsos automáticos nem estabelece um valor obrigatório a ser gasto pela União. Pelo contrário, prevê que os limites e a dimensão do programa sejam definidos pelo próprio Poder Executivo, utilizando diferentes fontes de recursos e mecanismos financeiros já existentes.

A proposta também sustenta que a renegociação não representa perdão de dívidas, mas uma tentativa de preservar a capacidade produtiva de produtores que acumularam perdas recorrentes entre 2019 e 2025.

Independentemente da disputa política, existe uma realidade que não pode ser ignorada: o endividamento rural atingiu um nível que afeta não apenas produtores, mas também cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e toda a cadeia do agronegócio.

Endividamento Rural: Mais do que uma questão financeira, o assunto envolve a manutenção da capacidade produtiva de propriedades que seguem gerando alimentos, empregos e renda para o país.

Quando uma crise deixa de impactar apenas produtores e começa a comprometer a dinâmica econômica de um setor inteiro, ela deixa de ser um problema financeiro individual e passa a ser uma questão sistêmica.

A discussão sobre a renegociação é importante, mas talvez a reflexão mais relevante seja outra: como evitar que o produtor continue absorvendo sozinho os efeitos de eventos climáticos extremos, falhas de proteção de renda e oscilações de mercado que fogem ao seu controle?

Entre para a REDE e fique por dentro das atualizações sobre esse assunto.

Fonte:https://webrural.com.br/wp-content/uploads/2026/06/EXTERNA-do-PL-5.122_2023-e-narrativa-de-bomba-fiscal-11.06.26.docx.pdf

Pauta-bomba ou bomba de narrativa?

Quando o assunto é renegociação das dívidas rurais, uma expressão voltou a ganhar força no debate público: “pauta-bomba”. A narrativa sugere que qualquer medida de apoio ao produtor representa uma ameaça às contas públicas. Mas a discussão talvez esteja sendo conduzida de forma simplificada demais para um problema que se tornou estrutural.

Grande parte do endividamento acumulado nos últimos anos não nasceu de má gestão ou especulação. Ele foi construído por sucessivas quebras climáticas, eventos extremos, aumento de custos, oscilações de mercado e falhas históricas nos mecanismos de proteção de renda e seguro rural. Tratar a renegociação apenas como um custo fiscal ignora a origem do problema e transfere toda a responsabilidade para quem está produzindo.

O artigo de Patrícia Marins traz uma reflexão importante ao questionar a narrativa que vem sendo construída em torno das chamadas “pautas-bomba”. Para o agro, a questão central não deveria ser apenas o impacto fiscal imediato. A pergunta mais relevante é: qual será o custo econômico, social e produtivo de não enfrentar uma crise de endividamento que já afeta milhares de propriedades e compromete a capacidade futura de investimento, produção e geração de riqueza no campo?

Na sua opinião, o PL será vetado pelo governo?

Fonte: O que não estão explicando sobre a “pauta-bomba”

Quando o agro enfrenta uma crise, a reação dos governos diz muito sobre a importância que dão ao setor.

Em sua publicação, o ex-ministro Antonio Cabrera chama atenção para uma diferença que merece reflexão.


Nos Estados Unidos, o produtor rural é visto como ativo estratégico nacional.

Quando eventos climáticos, oscilações de mercado ou crises ameaçam a capacidade produtiva do campo, o governo costuma agir para proteger produtores e preservar a segurança alimentar do país. O entendimento é simples: sem produção rural forte, toda a economia sente os efeitos

Ou seja, em momentos de crise, o governo cria mecanismos de apoio, proteção de renda e estímulo à produção. O objetivo é preservar a capacidade produtiva do campo.

No Brasil, apesar de o agronegócio ser um dos principais responsáveis pelo superávit da balança comercial, pela geração de empregos e pela entrada de divisas, muitas vezes o produtor enfrenta sozinho os impactos de secas, enchentes, juros elevados e dificuldades de crédito.

Em vez de ser tratado como um setor estratégico, frequentemente precisa justificar a necessidade de medidas que garantam sua sobrevivência e capacidade de continuar produzindo.

Um exemplo é a discussão sobre créditos de carbono, mencionado por Cabrera. O produtor brasileiro preserva áreas nativas, recupera solos, adota plantio direto e sequestra carbono, mas ainda encontra barreiras para transformar esses benefícios ambientais em renda efetiva.

A questão vai além de crédito ou renegociação de dívidas. Trata-se da visão de país que se tem sobre o agro. Enquanto algumas nações enxergam o produtor rural como parte da solução econômica, outras parecem tratá-lo apenas como mais um problema a ser administrado.

Na sua opinião, a população brasileira trata o agronegócio com a mesma importância estratégica que outros países dão aos seus produtores?

Fonte: reflexão de Antonio Cabrera publicada no LinkedIn: #agro #sustentabilidade | Antonio Cabrera

“Não faz sentido lançar um Plano Safra sem enfrentar o problema do seguro rural”. Os recordes de exportação continuam projetando o Brasil como uma potência agropecuária, mas escondem a realidade dentro da porteira. Como destacou Pedro de Camargo Neto, não faz sentido lançar um Plano Safra sem enfrentar o problema do seguro rural. Em um cenário de mudanças climáticas, crédito e seguro deixaram de ser políticas separadas: são partes da mesma estratégia de gestão de riscos.

Mas o desafio vai além do clima. O produtor brasileiro convive com dois riscos permanentes: perder a produção por eventos climáticos extremos ou produzir muito e ver sua renda desaparecer com a queda dos preços. Em ambos os casos, quem absorve quase todo o prejuízo é o produtor.

Por isso, uma política agrícola moderna não pode se limitar ao crédito. Ela precisa combinar seguro rural robusto, mecanismos de enfrentamento às catástrofes climáticas e políticas anticíclicas de garantia de renda, que protejam o produtor também nos períodos de baixa dos preços agropecuários.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos comemorando recordes de exportação, enquanto muitos produtores seguem mais endividados e financeiramente mais frágeis. O sucesso do agronegócio brasileiro só será completo quando vier acompanhado da sustentabilidade econômica de quem produz.

Pergunta: O Brasil já não passou da hora de substituir políticas emergenciais por uma política permanente de gestão de riscos e proteção da renda do produtor?

Veja o comentário de Pedro em: Lançar um Plano Safra sem enfrentar o problema do seguro rural é adiar uma crise anunciada. É irresponsável. Mais grave ainda é fazê-lo sem um modelo capaz de responder à nova realidade climática. O… | Pedro de Camargo Neto

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