Acordo com a União Europeia - Vai ajudar ou atrapalhar o produtor brasileiro na prática?

A principal mudança está na redução gradual de tarifas, que deve atingir a maior parte dos produtos ao longo dos próximos anos, aumentando a competitividade do agro brasileiro no mercado europeu e ampliando oportunidades de exportação.

O acordo do Mercosul com a União Europeia começa a entrar em vigor de forma provisória, trazendo uma mudança estrutural no comércio entre os blocos após mais de duas décadas de negociações. Já no início, uma parcela relevante dos produtos agropecuários passa a ter tarifa zero, acelerando esse movimento.

Na leitura da CNA, o acordo melhora o ambiente comercial ao dar mais previsibilidade, ampliar cotas e reduzir custos de acesso ao mercado europeu.

No entanto, há um ponto central: reduzir tarifa não significa garantir venda. O acesso real depende do cumprimento de exigências sanitárias, técnicas e ambientais impostas pela União Europeia, que continuam sendo uma barreira relevante para o produtor brasileiro.

Por isso, apesar do potencial positivo, o acordo também traz riscos.

A CNA alerta que novas regras europeias, como exigências ambientais e mecanismos de salvaguarda, podem limitar os ganhos e até gerar desequilíbrios competitivos. Além disso, a abertura também funciona nos dois sentidos, com produtos europeus chegando ao Brasil, pressionando setores internos e exigindo mais eficiência e organização do produtor.

Você acha que esse acordo vai ajudar ou atrapalhar o produtor brasileiro na prática?

Saiba mais no link abaixo:

CNA lança simulador de tarifas do Mercosul-UE

Ferramenta orienta produtores sobre redução tarifária nas exportações

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disponibilizou uma nova ferramenta para que os produtores rurais de todo o país tenham acesso facilitado às informações sobre o cronograma de redução tarifária negociado entre o Mercosul e a União Europeia. O “BI Simulador do Acordo” pode ser acessado na página da CNA na plataforma Microsoft Power BI .

Acesse o link: Microsoft Power BI e Clique no botão - CONTINUAR PARA SEU DESTINO

NOTA OFICIAL: MEDIDAS DA UE CONTRA EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Confira na AgênciaFPA: NOTA OFICIAL: MEDIDAS DA UE CONTRA EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS - Agência FPA

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acompanha com atenção a atualização da lista da União Europeia sobre países habilitados a exportar animais e produtos de origem animal ao bloco, no contexto das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária, aplicadas à todos os países exportadores.

A medida ocorre em meio à pressão de agricultores europeus e de países como a França, que se opuseram ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Nesse contexto, a FPA vê com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira.

O Brasil segue habilitado a exportar, e eventual restrição somente poderá ocorrer caso as garantias formais exigidas pelo bloco não sejam apresentadas até 3 de setembro de 2026.

A questão não representa falha sanitária da pecuária nacional. O Brasil exporta carne bovina para mais de 170 mercados, com sistemas de inspeção, rastreabilidade e protocolos reconhecidos internacionalmente.

A FPA seguirá acompanhando o tema junto ao setor produtivo e às autoridades competentes, defendendo uma solução diplomática que garanta previsibilidade, tratamento justo e garantia da reputação brasileira no mercado internacional.

*Frente Parlamentar da Agropecuária

Entenda o assunto no link:
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O impasse deixou de ser questão sanitária e, agora, virou uma disputa de confiança. O problema é que esse debate ultrapassa os frigoríficos e chega direto dentro da porteira.

A União Europeia está dizendo, na prática, que não basta o Brasil afirmar que cumpre regras. Será preciso provar, com rastreabilidade, auditorias e controle real da cadeia produtiva.

A pressão internacional envolve uso de antimicrobianos, rastreabilidade individual dos animais e comprovação documental de toda a produção.

E o mercado europeu sinaliza que mudanças no papel não serão suficientes sem evidências práticas e verificáveis.

Ao mesmo tempo, muitos produtores enxergam que parte dessa pressão também carrega interesses comerciais e políticos da própria Europa.

O centro da questão é o Brasil perder espaço justamente nos mercados de maior valor agregado enquanto ainda tenta organizar sistemas que deveriam estar maduros há anos.

Mas, talvez a discussão nem seja mais sobre cumprir regras.

Ela começa a entrar em outro ponto: até onde vale a pena se submeter às exigências impostas por um mercado que, muitas vezes, mistura critérios sanitários, ambientais e interesses comerciais.

A cobrança europeia por rastreabilidade total da cadeia mostra que o debate deixou de ser apenas técnico.

O problema é que cada nova exigência “protecionista” aumenta custos dentro da porteira. Mais controles, mais auditorias, mais tecnologia, mais burocracia e mais responsabilidade sobre o produtor, e este é o que menos captura valor na cadeia da pecuária.

A pergunta prática que poucos gostam de fazer em público: o prêmio pago pela Europa realmente compensa tudo o que ela exige para o produtor?

Porque em muitos casos, outros mercados compram volume, pagam rápido e exigem menos intervenção sobre o modelo produtivo brasileiro.

Ao mesmo tempo, ignorar esse movimento também pode ter consequências. O mercado europeu continua sendo uma referência global em padrões e influência comercial.

O receio é que exigências que hoje parecem restritas à Europa acabem sendo replicadas por outros compradores ao redor do mundo.

Então, talvez grande discussão não seja apenas sobre exportar carne, mas sobre quem vai definir as regras da produção agropecuária brasileira daqui para frente.

E na sua opinião: vale a pena atender todas as exigências da Europa ou o agro brasileiro deveria buscar mercados mais alinhados à nossa realidade?

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Brasil fica isolado no Mercosul.

Muito se fala em reforço da rastreabilidade, mas os países do Mercosul não precisam ter rastreabilidade completa em todos os produtos agrícolas para evitar o veto atual, eles apenas cumpriram uma regra específica de antimicrobianos que o Brasil não comprovou. Então, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem habilitados a vender carnes e demais produtos de origem animal ao mercado europeu.

A rastreabilidade rigorosa (EUDR), que se mostra como uma barreira mais politica do que sanitária, será aplicada a todos em alguns meses, mas isso ainda não é motivo de embargo no mememnto, mas em pouco tempo, essa exigência exdrúxula invibializará a entrada de, praticamente, todos os produtos oriundos do Mercosul na Europa.

No caso do mel, por exemplo, mesmo que abelhas não sejam animais de produção tradicional, ele está na mesma lista de produtos de origem animal. Nosso mel atende ao padrão internacional. As certificações orgânicas do mel brasileiro “falam por si” e não geram preocupações sanitárias e as exportações para UE não são significativas, mas o Brasil é o principal fornecedor de mel orgânico do mundo e precisa manter esse mercado europeu como diferencial competitivo. O veto não significa que o mel esteja contaminado, mas sim que há divergências sobre os mecanismos de fiscalização brasileiros e falta de comprovação documental sanitária da cadeia produtiva.

Voltando a essência do problema, segundo O Presente Rural, na materia do link, a carne bovina concentra mais da metade das vendas afetadas pela decisão da União Europeia. E o Brasil terá de ampliar restrições a antimicrobianos ou reforçar a rastreabilidade para recuperar acesso ao mercado.

Mas, reforço que, a UE não exige que todos os países tenham sistemas de rastreabilidade completos em todos os produtos agrícolas, o veto ao Brasil foi específico sobre antimicrobianos na pecuária , não sobre rastreabilidade geral.

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Veja a metéria no link abaixo:

Veto europeu ameaça US$ 1,8 bilhão em exportações brasileiras de carnes, peixe e mel.

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Para Maurício Nogueira, diretor da consultoria Athenagro, a pressão sobre a carne brasileira faz parte de um movimento antigo e está relacionada à elevada competitividade da pecuária nacional. "Sempre fomos alvo de barreiras não tarifárias e de diferentes formas de pressão. Em grande parte, a produção brasileira assusta. Muitos países têm dificuldade de compreender o sistema tropical de produção que o Brasil domina e o quanto ele nos torna competitivos”, afirma.

Matéria completa em Por que UE, China e EUA fecharam o cerco contra a carne brasileira | Exame

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O problema está realmente na estrutura da pecuária brasileira ou na forma como o país conduziu sua estratégia para atender às novas exigências?

Antes de discutir o novo sistema de rastreabilidade exigido pela União Europeia, entendo que reflexão acima deva ser colocada em pauta.

A comunicação oficial enfatiza a complexidade da cadeia da carne bovina, onde os animais passam por diferentes propriedades ao longo da vida. Essa característica existe, mas dificilmente explica, sozinha, o resultado que estamos vendo.

Ao concentrar o discurso nas dificuldades operacionais da cadeia produtiva, cria-se a impressão de que o produtor é o principal responsável pelo impasse. No entanto, a questão também envolve a capacidade do Brasil de construir protocolos, integrar informações, oferecer garantias sanitárias e negociar sua aceitação junto aos mercados internacionais.

Trata-se de um desafio que ultrapassa a porteira e alcança a governança de toda a cadeia.

A prova disso é que outros países concorrentes conseguiram manter o acesso ao mercado europeu. Argentina e Uruguai adotam modelos diferentes de rastreabilidade, mas ambos apresentaram protocolos considerados suficientes para atender às exigências da União Europeia. Isso demonstra que a discussão não se resume ao tipo de sistema utilizado, mas à confiança que ele é capaz de transmitir aos compradores e às autoridades sanitárias.

Talvez a pergunta mais importante não seja por que a cadeia pecuária brasileira é complexa, mas por que o Brasil, líder mundial nas exportações de carne bovina, não conseguiu obter a aprovação de um protocolo equivalente ao de seus concorrentes.

Quando outros exportadores atendem às mesmas exigências, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a envolver capacidade de articulação institucional, eficiência regulatória, negociação internacional e coordenação entre setor público e iniciativa privada.

Me parece que a rastreabilidade é apenas a parte visível de uma discussão muito maior. Mercados cada vez mais exigentes continuarão elevando o nível das exigências sanitárias, ambientais e de governança. A competitividade do agronegócio brasileiro dependerá não apenas da eficiência dentro da porteira, mas também da capacidade do país de construir sistemas confiáveis e reconhecidos internacionalmente, transformando sua liderança produtiva em liderança institucional.

Na sua opinião, o maior desafio do Brasil está em adaptar a produção às novas exigências ou em fortalecer sua capacidade de negociar e construir protocolos reconhecidos pelos mercados internacionais?

Para entender melhor a discussão leia o conteúdo do link:
https://fundesa.com.br/noticias/interna/novo-sistema-de-rastreabilidade-passa-a-valer-a-partir-de-1o-de-julho-8143c

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Se é risco sanitário, por que o Reino Unido pensa diferente da União Europeia?

A decisão do Reino Unido de manter as importações de carnes brasileiras, enquanto realiza uma avaliação técnica independente sobre o sistema sanitário do Brasil, expõe um aspecto que merece atenção.

Diante das mesmas informações que levaram a União Europeia a anunciar um embargo, os britânicos optaram por um caminho diferente: primeiro analisar os fatos, depois decidir. É uma postura que fortalece a credibilidade das decisões técnicas e evita que interesses comerciais sejam confundidos com critérios sanitários.

Isso não significa que o Brasil esteja acima de críticas ou que não precise evoluir em rastreabilidade, controle de antimicrobianos e transparência. Significa apenas que, quando diferentes mercados chegam a conclusões distintas sobre o mesmo sistema produtivo, surge uma pergunta inevitável: estamos diante de uma preocupação exclusivamente sanitária ou de uma política comercial que utiliza exigências técnicas para proteger produtores locais?

Essa diferença muda completamente a forma como o agro brasileiro deve interpretar o cenário.

Competitividade internacional também depende da capacidade de demonstrar confiança. Mas confiança se constrói com critérios técnicos consistentes para todos, e não quando um mesmo sistema é aceito por alguns mercados e rejeitado por outros sob argumentos que parecem variar conforme os interesses de cada bloco.

Na sua opinião, a União Europeia está protegendo a saúde ou o mercado?

Entenda melhor lendo a matéria do link:
https://www.canalrural.com.br/internacional/reino-unido-contraria-ue-e-anuncia-que-continuara-comprando-carnes-do-brasil/

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