Enquanto produtores assistem distantes - muito por estarem empenhados na aprovação do projeto vital de repactuação de dividas rurais - a possível redução da jornada de trabalho avança no congresso, mas o que está em questão vai muito além das relações trabalhistas.
No agro, a preocupação não é apenas jurídica ou política. Ela é operacional. O campo não funciona no mesmo ritmo da cidade. Animais precisam ser manejados todos os dias e safras dependem do clima e do tempo certo para colher.
Essas mudanças, propostas com extrema rapidez, irão aumentar os custos justamente em um momento em que a maioria dos produtores, do familiar ao empresarial, já enfrentam margens apertadas, dificuldades para contratar mão de obra e pressão financeira.
E a conta não irá chegar só no produtor, chegará na agroindústria de transformação e também no consumidor, com impacto direto nos preços dos alimentos.
O debate sobre qualidade de vida no trabalho é legítimo. Mas a pergunta que começa a surgir dentro do setor é outra: o Brasil está discutindo produtividade antes de discutir redução de jornada?
Em qualquer setor econômico, mas próncipalmentec na produção agropecuária, qualquer decisão tomada sem considerar a realidade operacional pode gerar efeitos muito maiores do que parecem no discurso político.
E você, acredita que a redução da jornada pode melhorar o país ou tende a aumentar ainda mais o custo de produzir no agro?
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