A matéria sobre a saída da Mombak da Verra, para mim, é um sinal claro de que o mercado de carbono ainda tem problemas importantes.
Não vejo isso como um caso isolado. Quando uma empresa bem estruturada decide sair de um das principais certificadoras do mundo, é porque tem algo errado no modelo.
Na prática, o que eu tenho visto é um mercado ainda muito complicado, com regras difíceis de entender e pouco conectado com a realidade do produtor rural e inacessível para pequenos e médios produtores.
O modelo atual de créditos de carbono ainda está excessivamente:
* Dependente de metodologias complexas e, muitas vezes, desconectadas da realidade do campo
* Vulnerável à insegurança regulatória
* Distante de quem realmente gera valor: o produtor rural
Quem está no campo precisa de algo simples, confiável e que faça sentido econômico.
Enquanto isso não acontecer, o mercado vai continuar enfrentando desconfiança e dificuldade para crescer.
Eu acredito que o agronegócio brasileiro tem um papel enorme na agenda climática. Mas, para isso, o produtor precisa estar no centro dessa discussão, e não na margem.
Se o mercado não evoluir rapidamente para uma lógica com menos marketing e de forma mais transparente, mensurável e economicamente viável, corremos o risco de transformar uma das maiores oportunidades do agronegócio em mais um ciclo de desconfiança e baixa adesão.
Eu tenho alertado que estamos diante de um momento de inflexão. É hora de deixar marketing de lado.
Governos, certificadoras, corporações e entidades do agro precisam decidir:
Vão continuar ajustando um modelo que já nasce fragilizado ou vão redesenhar a base desse mercado?
E você, o que pensa sobre o assunto?
