O crescimento da FIV e das biotecnologias reprodutivas tem despertado o interesse de muitos produtores e investidores.
A possibilidade de acelerar o melhoramento genético e aumentar a oferta de animais superiores é, sem dúvida, uma oportunidade interessante.
Mas, fica o alerta, o problema não é investir em tecnologia e sim investir primeiro na tecnologia e só depois tentar descobrir como o negócio vai dar lucro.
Muitos projetos começam pela estrutura. Investem em laboratórios, equipamentos e capacidade de produção sem avaliar com a mesma profundidade quem comprará os embriões, como será feita a gestão das receptoras, quais serão os custos operacionais e qual o volume real que o mercado consegue absorver. Produzir embriões é apenas uma parte da equação.
Um ponto frequentemente subestimado é a operação de campo. Taxas de prenhez, disponibilidade de receptoras, mão de obra qualificada, logística e acompanhamento técnico têm impacto direto na rentabilidade do projeto.
Uma tecnologia de ponta não elimina os desafios da execução diária. Pelo contrário, exige ainda mais organização e gestão.
Por fim, produzir embriões é um desafio técnico, mas vendê-los pode ser ainda mais difícil.
Diferentemente de outros insumos, a decisão de compra envolve valores elevados, confiança no resultado e expectativa de retorno futuro.
Muitos produtores reconhecem o potencial da genética, mas nem todos estão dispostos ou têm capacidade financeira, já que o valor investido pelo comprador é alto, o retorno acontece no longo prazo e a decisão exige confiança e capacidade de executar um bom manejo na propriedade.
Por isso, a viabilidade do negócio depende não apenas da qualidade dos embriões produzidos, mas da capacidade de construir demanda, gerar confiança e transformar genética em vendas.
Embriões congelados representam custo. Embriões comercializados representam resultado.
Se você fosse investir e a produção começass amanhã, você já saberia para quem vender?
Fonte: Reflexões inspiradas no artigo de Rodrigo Mendes Untura sobre projetos de FIV em larga escala.
